Livro : Rani e o Sino da Divisão de Jim Anotsu

Olá meus caros amigos e amigas,

Sabem, 2014 foi um ano muito especial para mim, nele decidi ser escritor. O primeiro passo que dei para este caminho foi me ambientar na realidade do mercado literário brasileiro, foquei em ler livros nacionais, pelo menos em sua maioria. Neste processo conheci autores fantásticos e até me aproximei deles nas redes sociais. Foi o caso de Jim Anotsu, que tive o prazer de conhecer na Bienal do Livro de SP.

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Em seu último trabalho, Rani e o Sino da Divisão, lançado pela editora Guttemberg do grupo Autentica, mais uma vez temos todas as referencias que ideológicas de Jim presentes. Essa é uma das marcas do autor, como disse na resenha de seu livro anterior A Morte é Legal .

Neste livro acompanhamos a trajetória de Rani, uma adolescente de 15 anos de idade, negra, que mora em uma cidade fictícia chamada Graúna, próxima a Belo Horizonte – MG, onde nada acontece. Rani adora Heavy Metal Melódico e prefere ser a invisível da turma, mas sua vida sai da rotina quando ela cruza com um adolescente emo colorido, após uma serie de acontecimentos ela descobre que é uma xamã e que o adolescente, Pietro, é um vampiro que a quer recrutar para a mais descolada das três facções mágicas. Os Animais em Festa.

Animais em festa

Animais em Festa é a facção onde as criaturas que só querem curtir a liberdade sem regras estúpidas se encontram. Seus principais membros são os irmãos vampiros Pietro e Valentina, o lobisomem Fred e o demônio Tales. Durante a história Rani e sua melhor amiga Marina, a única humana normal, se juntam a eles.

Rani de repente tem que lidar com todo um mundo mágico que não conhecia e um assassino de xamãs que está vindo atrás dela, conciliando isso com sua família, escola, banda e um campeonato de futebol. Nada diferente de qualquer adolescente da sua idade.

A narração em primeira pessoa faz com que a história fique muito mais intima, nos aproximando das aflições da personagem. Mesmo com o depoimento da personagem, vemos em todo o livro caixas de diálogos onde a própria Rani faz comentários e observações, achei isso inovador. Outra marca de Jim é a estrutura em capítulos curtos, o que favorece a obra concluindo cada cena no final dos capítulos, evitando a quebra de ritmo.

Quero destacar um capitulo em especial, pois achei o mesmo genial. Em Tragédia Grega , temos Rani fazendo um drama típico de uma garota de 15 anos, ela considera estar vivendo uma verdadeira tragédia . Logo temos todo um capitulo onde Rani e Marina conversam sobre um determinado fato estruturado de maneira idêntica as clássicas tragédias gregas. Segue um trecho:

MARINA – Senhorita Paleto, tentei oito vezes uma ligação. Que bem faz um telefone que nunca é atendido? Acaso não sabes que essa é sua função?

RANI – Peço que me perdoe, tinha olhos cortejados por nova encenação de One Piece. Ah, como desejaria meu coração que Ruffy fosse de verdade. Pirata de borracha com parcas habilidades submarinas, não seria esse um épico digno de afeição?

E por ai segue. De certa forma me lembrou o programa da TV Armação Ilimitada, onde a jornalista vivida por Andrea Beltrão se deparava com um cenário distinto sempre que ia falar com seu chefe, o grande Francisco Milani. Se vocês não sabem do que estou falando é porque vocês tiveram o azar de nascer depois dos anos 80/90.

Então meus caros, se querem ler uma obra de fantasia moderna nacional de qualidade, Rani e o Sino da Divisão é altamente recomendado.  

Abraços a todos,

Sandro Moura

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